segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Diário Gauche

A partir de hoje, leia o Diário Gauche em www.diariogauche.blogspot.com
"O importante hoje na política não é tornar as pessoas livres, mas sim levá-las a pensar que o são". Jean Baudrillard (apresentação do blog)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A mercantilização do Banrisul

O líder da bancada do PT, Raul Pont, classificou de afronta à Assembléia Legislativa a venda das ações do Banrisul sem prévia aprovação dos fundos para os quais os recursos provenientes da operação seriam destinados. Segundo o deputado, o governo do Estado se aproveitou do recesso parlamentar para apressar a liquidação de ativos do banco e tornar a transação um fato consumado.

"A pressa do governo revela que seu real objetivo é privatizar o Banrisul. Se o propósito fosse custear as aposentadorias dos servidores, não haveria a necessidade de colocar ações no mercado. Bastaria a utilização de um percentual do montante do lucro detido pelo Estado", argumentou o petista.

Um substituto da bancada do PT aos projetos que criam os chamados fundos previdenciários tramita no Legislativo com este objetivo. A proposra estabelece uma fonte permanente para o financiamento das aposentadoria do funcionalismo sem vender patrimônio público. O projeto destina 50% das receitas oriundas dos rendimentos do Banrisul (juros sobre capitais) para o fundo de previdência e proíbe a venda de ativos que possam reduzir estas receitas.

Na tribuna, Pont fez um apelo para que os deputados que assinaram o requerimento para a criação da Frente de Defesa do Banrisul Público para aprovem a proposta alternativa. "Honrem as assinaturas e defendam o Banrisul deste golpe orquestrado pelo governo do Estado. Podemos impedir que ele se confirme, aprovando uma proposta que garante a previdência dos servidores e mantêm o caráter público do banco", apelou.

O líder do PT afirmou , ainda, que os fundos propostos pelo Executivo não são previdenciários, mas financeiros. Segundo ele, tudo indica que os recursos oriundos da venda das ações acabarão na vala comum do caixa único do Estado. "O projeto do governo confere à Secretaria da Fazenda a missão de administrar os fundos e não ao Instututo de Previdência do Estado, que deveria ser transformado em órgão gestor e administrar os recursos", apontou.

Pont alertou que os recursos do Fundo de Previdência do governo Yeda poderão ter o mesmo destino que os R$ 600 milhões do Fundo do Magistério, criado pelo governo Britto. "Quatro meses antes do governo Britto terminar, os recursos diluiram-se no caixa único", lembrou.

Privatização à vista

As semelhanças entre o processo de privatização de outras estatais gaúchas e a venda de ativos do Banrisul também foram lembradas pelo líder do PT. "Quando o governo vendeu 35% da CRT dizia que a transação tinha o objetivo de fortalecer a empresa. Seis meses depois, privatizou integralmente a telefonia no Rio Grande do Sul com enormes prejuízos para a população. A tarifa básica que era de R$ 0,61 chega a R$ 40,00 atualmente", comparou.

A venda de 47% das ações preferenciais do Banrisul, segundo o petista, abre o caminho para a constituição de um perfil de banco privado, acarretando danos aos gaúchos. Ele prevê que o abandono do caráter público da instituição poderá gerar um processo de fechamento de agências pouco lucrativas, expulsão das camadas mais pobres e redução das linhas de crédito para a agricultura familiar.

"O governo está trabalhando para imprimir no Banrisul uma lógica mercantil com predominância da especulação financeira sobre políticas de fomento ao desenvolvimento do Estado", finalizou.

fonte: Olga Arnt | PT
publicado em: SindBancários

Quem nos salva da bondade dos bons?

No último fim de semana aconteceu, em São Paulo, a Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramos Financeiro. O encontro é preparatório à campanha salarial (a data base dos bancários é 1º de setembro).

Dentre as resoluções, a aprovação da contratação da renda variável. Para que conhece o assunto, sabe o quanto ele é polêmico. Para mim, essa aprovação demonstra o quanto é necessário que o movimento sindical recupere suas referências, pois essa aprovação vai DE encontro a tudo o que o movimento sindical defendeu historicamente. Além de ser uma clara capitulação frente à concepção estabelecida pelo sistema patronal, prejudica inclusive a saúde da categoria bancária, visto que um dos principais motivos de sofrimento e adoecimento desses trabalhadores é o assédio moral/violência organizacional provocada pelo estabelecimento de metas absurdas.

Dêem uma lida em no texto abaixo (resumo de um email), o primeiro que recebi após a polêmica aprovação. Nos próximos dias, vou procurar enriquecer esse debate com outros textos.


Quem nos salva da bondade dos bons?

O que gostaria de chamar a atenção foi para o resultado de o debate mais relevante deste fórum. (...) tivemos uma votação infeliz, tema do meu constrangimento, que colocava na pauta das renvindicações a contratação sobre a renda varíavel.Para quem não é bancário: o empregado ganha mais se vender produtos e sobre este ganho incide o FGTS, férias, 13°,etc. Implica dizer que no mínimo, se não o fizer, não receberá o adicional e, portanto ficará fadado ao salário básico garantido pela legislação.Além disto sofrerá ainda mais com a pressão psicológica do banqueiro que irá cobrar sobre esta venda ou sua falta.


Penso que nossas ações deveriam correr outro curso: lutarmos para o fim das metas,a favor do aumento real de nosso salário, garantindo mais tranquilidade ao exercermos nossa profissão sem “bafo na nuca”, pois de outra maneira, estamos entranto na cantilena da pós-modernidade, onde alguém sabe que seu sustento depende da venda de produtos e consequentemente terá problemas de saúde que amplia o campo de atuação desde o psicológico, até a ler/dort (por causa da velocidade com que tem que fazer tudo para produzir), e tantos outros já conhecidos.


Segundo a articulação bancária, influenciada pelo pensamento positivo, isto é “bom”, pois vai regrar os abusos dos bancos e os sindicatos poderão fiscalizar o que já acontece.(...)


Na minha opinião, isto parece mais uma política da inevitabilidade, da descrença da luta pela qual estamos nos sindicatos e mais, parafraseando o que foi dito na conferência “esta é a política do: já que o estupro é inevitável, relaxa e goza”, afinal não se pode fazer mais nada. Ora, tanto no grupo em que participei, quanto das conferências por bancos, vi, no mínimo, dezenas de companheiros lesionados, com depressão por pressão do seu gerente e soube até sobre suicídio na categoria. Qual a razão? A já citada fragmentação do mundo do trabalho e o uso da tecnologia para fazer o trabalhador estar em todos os lugares ao mesmo tempo, refletido na categoria em pressão por metas.Para piorar a situação, no momento da perícia (INSS/“nosso governo”), os trabalhadores são desrespeitados, como se estivessem mentindo sobre sua saúde e ainda, quando voltam pra os locais de trabalho, tentam sobreviver à condição de penúria.


Desta maneira, na segunda-feira, por mais que discutíssimos sobre o que poderia ser feito para ajudar os companheiros adoecidos, a principal ferramenta que causa esta dor, já havia sido aprovada pelo “martelo da bondade” vinte e quatro horas antes pela Artban e sua “carta de intenções”.


Marcelo Caon (diretor do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e historiador)

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Eventos na Capital reverenciam ideais de Simon Bolívar

Duas atividades marcam, na Capital, entre esta quinta-feira, dia 26, e a próxima terça-feira, dia 31, os 214 anos de nascimento de Simon Bolívar. Um dos ícones da esquerda latino-americana, Bolívar nasceu em 24 de julho de 1793. Suas idéias são revividas principalmente hoje pelo presidente venezuelano Hugo Chavez.

A Associação Cultural José Martí prevê dois eventos para reverenciar Bolívar. Hoje haverá jantar no Clube Geraldo Santana (Rua Luis de Camões, 337), com música latina no cardápio, a partir das 20h. Os convites custam entre R$ 15 e R$ 20.

Dia 31, às 19h, ocorre o debate O Legado de Simon Bolívar e a Revolução Bolivariana, no auditório da Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424). As duas iniciativas têm apoio do SindBancários. Nessa quarta-feira, dia 25 de julho, a Associação Cultural José Martí completou 23 anos de existência.


Fonte: SindBancários