quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

dois pesos, um só discurso

saiu hoje, no diario gauche

E a tal quebra de contrato?

Muito pertinente a observação da jornalista Denise Nunes na sua coluna de economia no jornal Correio do Povo de hoje.

Mudança de regras: às vezes pode

A proposta de mudança no Plano Geral de Outorgas para viabilizar a fusão das operadoras Oi e Brasil Telecom mostra a relatividade no mundo do capital. O que neste momento é defendido por duas grandes empresas para fecharem negócio, com respaldo do ministro Hélio Costa, é um dos alvos preferidos de críticas no país. O outro é a carga tributária. Quantas vezes já se ouviu empresários, economistas, analistas de investimentos ou políticos alegarem que a ausência de marcos regulatórios é um entrave ao desenvolvimento do Brasil. Em qualquer segmento, é bom ressaltar. Segundo os críticos, o suposto vácuo legal é uma brecha assustadora para investidores, principalmente estrangeiros, que temem 'quebras de contrato', expressão que virou clichê em campanhas eleitorais. Pois bem, o que a novela Oi-Brasil Telecom mostra agora é que os investidores, mesmo os estrangeiros, não se importam com mudanças de regras, desde que seja do interesse do capital. E não se trata apenas das envolvidas. Com exceção das concorrentes, nenhuma empresa ou entidade chiou.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

duas caras, um só discurso

A fonte é o Observatório da Imprensa, mas eu li no blog do Núcleo Piratininga de Comunicação, que sempre vale a pena visitar.


Mídia
TELENOVELA & POLÍTICA: Duas Caras para um só discurso



O ex-presidente da Radiobrás Eugenio Bucci, arguto pensador da mídia, já observou que a telenovela revela mais do Brasil do que o telejornalismo. Enquanto este enfrenta uma enorme multiplicidade de fatos, está sujeito a toda sorte de pressões e utiliza técnicas de abordagem que privilegiam a frieza de análise, o distanciamento crítico e a isenção possível, aquela opera no registro oposto. Seleciona aspectos da vida social e trata deles de forma apaixonada, visceral, pelas ações e conflitos de um grupo de personagens. É dessa forma que o Brasil real emerge, com mais clareza, do microcosmo pulsante dos folhetins do que do caos entorpecente do noticiário.

Bucci refere-se à telenovela em geral, ou àquela que busca realismo em suas tramas, mas visa particularmente a novela das 9 da Rede Globo, ainda hoje, como há quase 40 anos, o principal produto da televisão brasileira pelo volume de audiência, faturamento comercial e importância na estrutura da programação. Se a sua tese é correta, como parece, é muito preocupante o retrato do Brasil que nos oferece o título atual em exibição no horário, Duas Caras. Delineia-se ali um perfil de regressão geral no debate democrático e de fortalecimento do "pensamento único", ou do pensamento conservador que a máquina coordenada da mídia quer fazer passar por verdade universal.

O esfacelamento da diversidade no jornalismo é fato notório, desde que os grandes veículos deixaram de ter em seus quadros gente das mais variadas tendências ideológicas, preferindo dar espaço a uma infinidade de vozes que, com raríssimas exceções, apenas ecoam o pensamento liberal e fazem proselitismo de seu ideário, em absoluta sintonia com a perspectiva patronal. Agora percebe-se que os colunistas de política e economia, os editorialistas, os articulistas amigos e demais zeladores do pensamento único ganharam a companhia dos autores de telenovelas. Ou, ao menos de um peso-pesado entre eles, o consagrado Aguinaldo Silva, regente da orquestra de redatores de Duas Caras.

Acusação oportunista

Antigo militante do progressismo, editor do primeiro jornal voltado à defesa dos homossexuais no Brasil (Lampião da Esquina, anos 1970), Aguinaldo Silva é agora o patrono de uma verdadeira ode ao conservadorismo, entoada ao público em capítulos diários. O tratamento que vem dando a alguns conflitos seriíssimos do cotidiano carioca, foco de sua novela, está carente de equilíbrio e longe de permitir ao telespectador um julgamento isento do que lhe é oferecido. Algumas situações e personagens são construídos por uma ótica muito restrita, totalmente discutível, que não por acaso é a mesma com a qual são pautados os produtos jornalísticos da grande imprensa, em geral.

Nos últimos dias, uma parte importante da trama gira em torno de uma acusação de racismo ao reitor Francisco Macieira (José Wilker), recém-entronizado no comando de uma instituição particular de ensino, a Universidade Pessoa de Moraes. Figura de proa na esquerda revolucionária, exilou-se em Paris durante a ditadura militar e lá permaneceu depois da redemocratização do país, trabalhando como professor, até encontrar a proprietária da universidade, iniciar um romance com ela e receber o convite para voltar ao Brasil.

Macieira chega à UPM como um demiurgo da modernidade, um reformador avançado. Rapidamente entra em conflito com os professores da casa, retratados como um bando de preguiçosos corporativistas, que só querem manter privilégios, trabalhar pouco e ganhar muito. Da mesma forma, conflita com parte dos estudantes, apresentados como marionetes dos professores espertalhões, agitadores inconseqüentes, que só querem atrapalhar a vida da universidade. Um desses estudantes – um rapaz negro com o ariano nome de Rudolf Stenzel (Diogo Almeida), sugerindo ser um órfão criado por família estrangeira, portanto um privilegiado que não deveria se queixar da boa sorte que teve na vida – tenta colocar os colegas contra o reitor "porque ele foi imposto", não foi eleito em consulta democrática.

Rudolf inscreve-se num curso de verão de Macieira, mas falta sistematicamente às aulas. No dia em que resolve aparecer na classe, o reitor ironiza a sua presença, perguntando se ele é algum zumbi, um ser errático que surge das sombras. Oportunista inescrupuloso, o rapaz distorce a acepção em que termo zumbi foi usado, enxerga nele um sentido pejorativo e acusa o reitor formalmente de racismo, dando queixa à polícia. O caso explode na mídia e Macieira está às voltas com uma grande dor de cabeça.

Destrambelhados de terceiro grau

O problema dessa história está na diferença de tratamento. Enquanto Macieira tem todas as condições para afirmar o seu discurso, justificar suas ações, delinear-se como um personagem coerente, Rudolf é pouco mais que um figurante. Personagem unidimensional – como, de resto, são os seus professores –, não se sabe ou se ouve dele nada além da sua obstinação em protestar, criar caso, arrumar problemas sem razão objetiva. No episódio em questão, a sua má-fé é clara e, obviamente, suscita toda simpatia do telespectador ao seu oponente. Mas Rudolf não é apenas o "aluno-problema", como o site da novela no portal Globo.com o define. Ele representa um estereótipo abertamente negativo do estudante engajado, que é desqualificado como inconseqüente, intransigente e desonesto.

Esse estereótipo começou a ser construído há algumas semanas, quando Aguinaldo Silva concebeu uma invasão estudantil à UPM, em protesto contra as mensalidades cobradas aos alunos. Inspirando-se nas ocupações do ano passado na USP, Unicamp e PUC-SP, o autor e sua equipe reproduziram o mesmo discurso da grande imprensa naqueles episódios: o de que os estudantes mobilizados são radicais, não têm uma postura construtiva e são baderneiros, depredadores do patrimônio alheio.

Ainda que os casos de vandalismo tenham sido marginais nos movimentos universitários citados, foram apresentados com grande estardalhaço, como se sintetizassem a postura estudantil. Duas Caras embarcou nesse clima e providenciou o seu próprio grupo de destrambelhados de terceiro grau. Fez o estrago que desejava. Outro dia, um dirigente estudantil comentou na Unicamp que, "depois da novela, ficou impossível convencer a minha mãe que a política estudantil não é aquela baderna apresentada". Agora, tempos depois da invasão, os estudantes politizados da novela não são mais apenas baderneiros. São também mentirosos, ardilosos, desonestos.

Legítima defesa

Se Duas Caras ataca a organização estudantil e apresenta como modelo de comportamento a obediência bovina, acrítica e despolitizada dos "bons alunos" da Universidade Pessoa de Moraes, o tratamento que dá à favela da Portelinha não é muito melhor. Todos sabem que, em qualquer grande favela brasileira, do Rio de Janeiro ou alhures, o crime (em geral, o tráfico de drogas) tem um grande poder político, derivado de sua força militar e do intenso assistencialismo que promove. Tanto os "chefes de morro" quanto seus subordinados são, inequivocamente, bandidos e dessa forma são percebidos por toda a comunidade, ainda que as eventuais bondades que distribuam sejam apreciadas e usufruídas. Com absoluta certeza, qualquer morador de favela preferia se ver livre deles, se tivesse a mínima chance de obter isso.

Na favela da Portelinha, entretanto, a ambigüidade é total. O chefão Juvenal Antena (Antonio Fagundes) não é traficante nem bandido, assim como todos os seus fiéis soldados. É apenas dirigente da associação de moradores local, que toca com mão-de-ferro e democracia zero, que não impedem o povo de considerá-lo um herói. Impossível saber como Juvenal conseguiu o milagre de, durante muitos anos, manter o crime longe de sua comunidade, sem apoio do Estado ou das milícias paramilitares que vendem segurança, e também sem usar qualquer tipo de arma.

Apenas recentemente, quando um grupo de traficantes tentou invadir a Portelinha, os moradores souberam que Juvenal estocava um verdadeiro arsenal de guerra, incluindo bazuca, de procedência ignorada. Foi o que lhes permitiu rechaçar os invasores, num combate apresentado como muito honroso, travado em legítima defesa, como se os dois lados em conflito não estivessem na ilegalidade do porte e uso de armas privativas das Forças Armadas.

De braçada

Na moral ambígua de Duas Caras, em suma, a turma do bem pode transgredir a lei sem problemas, se for para combater a turma do mal. Estudantes que dissentem da orientação da universidade são radicais perniciosos, portanto formam na turma do mal. Professores idem, eles que são vagabundos e manipuladores. E um fascistóide explícito como Juvenal Antena, ainda que contestado em suas práticas antidemocráticas pelo pupilo Evilásio Caó (Lázaro Ramos), segue firme e forte na turma do bem, com direito a namorar a maior beldade da trama, a disputada Alzira (Flávia Alessandra).

OK, tudo isso é novela e não se pode levá-la tão a sério, dirão os que discordam da tese de Eugênio Bucci. Há que se conceder descontos ao autor, para que a trama possa funcionar como folhetim e a telenovela cumpra o seu papel de impelir a indústria televisiva. Mas é a própria TV Globo que se ufana do compromisso de suas novelas com a realidade brasileira, sempre exaltado em seu discurso institucional e em sua publicidade. Se é assim, suas novelas podem e devem ser levadas a sério, e criticadas com rigor no discurso que enunciam.

Anos atrás, na mesma TV Globo, O Rei do Gado de Benedito Ruy Barbosa deu grande contribuição para uma visão menos estereotipada dos trabalhadores sem-terra e suas ações. Duas Caras, ao contrário, nada de braçada no preconceito. Dificilmente será lembrada no futuro, pelo que fez ao avanço da democracia no Brasil.

Fonte: Observatório da Imprensa






quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Spot contra Oscips


Clique no rádio e ouça áudio disponibilizado pela Rede Abraço

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

trabalhemos menos, trabalhemos todos


As centrais sindicais brasileiras desenvolvem uma campanha pela diminuição da jornada de trabalho. Não pode haver campanha mais justa e humanista. Que os trabalhadores, os que produzem todas as riquezas do Brasil e do mundo, possam trabalhar menos e viver mais, até para que outros possam ter acesso ao trabalho formal e dignamente remunerado. Não se combate o desemprego apenas abrindo novas frentes de trabalho. É indispensável – como faz a proposta de reforma constitucional do governo venezuelano, que diminui a jornada de trabalho de oito para seis horas – diminuir a jornada de trabalho. Diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores possam dispor de um tempo para a família, o lazer, o descanso, a leitura, a luta coletiva. Para que decidam o que querem fazer com ao menos uma parte das suas vidas.

Emir Sader

leia a íntegra do artigo em Carta Maior

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Tropa de Elite: disputar a leitura do filme

Fragmento retirado do blog do Rossetto.
Para falar a verdade, ainda não vi o filme (!!), mas, pelo que tenho ouvido a respeito, acho fundamental, como disse o Rolim, aproveitar o debate por ele gerado e disputar sua leitura.
É uma boa tarefa para a rede de blogs!

"Em meio às diferentes opiniões apresentadas, chegamos a alguns consensos no final: goste-se ou não do filme, é impossível negar o profundo impacto e o debate que ele gerou. Rolim defendeu que é preciso disputar a leitura do filme.

Muita gente achou que se trata de uma obra realista, que retrata fielmente o cotidiano da segurança pública no Rio de Janeiro (e no Brasil de um modo mais geral), onde a violência do tráfico convive com a corrupção e com a prática da tortura por alguns setores da polícia. Depois do filme, defendeu Rolim, ninguém mais nega a existência desses problemas no interior de setores das nossas polícias. Para ele, esse é um mérito do filme. O suposto caráter realista do filme apresenta, no entanto, algumas armadilhas, como a aceitação e o aplauso, por parte de muitos que assistiram ao filme, da tortura e de execuções sumárias, sem julgamento, de pessoas envolvidas com o crime. Todos esses problemas, por outro lado, estão relacionados ao brutal enfraquecimento do Estado e de suas instituições, fenômeno que acaba alimentando práticas que só geram mais violência e corroem as idéias de lei, direito e direitos."






Kayser vai na couve

Fonte:
Grafar

portinho é assim

Eheh, pesquei do leandrodoro. Para descontrair.


"Provas de que Porto Alegre possui colonização açoriana

Comecei a construir esta lista hoje. Quem quiser, pode contribuir, sugerindo pôr ou retirar trechos."

— O centro da cidade exala cheiro de bacalhau, embora alguns digam ser urina.
— Possui uma banda chama Os Pá, depois rebatizada para Ospa.
— O condutor de veículos, se quiser ir duas quadras para a direita, precisa ir cinco quadras a esquerda, depois dobrar.
— Na bandeira da cidade, está escrito: "Leal e Valerosa Cidade Porto Alegre". Sim, valerosa.
— No hino municipal, diz que a água do Guaíba é um espelho. Turvo, no caso.
— O clube Juvenil é o que possui os sócios mais idosos.
— O porto-alegrense fala "verdadi", "saudadi", leiti" e acha errado quem diz verdade, saudade e leite.
— Usa diminutivo para a palavra prostituta, o que, na verdade, quer dizer "saúde", em alemão ou o sobrenome do principal rival do Airton Senna. Prost.
— Se diz gaúcho, mas odeia gaudério.
— Cerca de 30% dos que se dizem porto-alegrenses, na verdade, moram na Região Metropolitana.
— Outros 30% dos que se dizem porto-alegrensese, na verdade, nasceram em outra cidade.
— As mais belas canções sobre a cidade foram criadas por pelotenses.
— Verdes Anos é o nome de um filme, e não sintoma de uma doença venérea.
— Ocidente não é um hemisfério, mas um bar no Bom Fim
— No futebol masculino, o Brasil já é penta, mas em Porto Alegre todo mundo diz tri: tri legal, tri afim, tri massa, etc.
— Tribom quer dizer ótimo e não a marca clonada de um sorvete.
— A maioria diz que passa o domingo no brique da Redenção, mas, no final, vai pro shopping.
— O time que se diz nobre tem estádio na Azenha. O que se diz rico, de frente para o Guaíba.
— Almôndegas é nome de banda e não de bolo de carne.
— Perimetral, que é a avenida que deveria ser fora do perímetro urbano, passa pelo centro da cidade.
— A cidade tem uma Usina do Gasômetro, que em alemão pode ser chamada de KRAFTWERK, que na verdade é o nome de uma banda e tecno.

Contribuição de Lisandro Santos:
— A Casa de Espanha fica na Rua Portugal.

Contribuição do cartunista Bier:
— O centro, que deveria ficar no centro da cidade, fica numa ponta.
— Boa parte da cidade é banhada por um rio, ou seria lago, e as autoridades só investem — quando investem — no transporte rodoviário.
— Quando alguém diz que vai pro São Pedro, nunca se sabe se é pro teatro ou pro hospício.
— O acampamento Farroupilha do Parque da Harmonia é o único que, ao celebrar a Guerra dos Farrapos, consegue ser pior do que os acampamentos do tempo da Guerra dos Farrapos.
— A única coisa que não tem no Hospital de Beneficência Portuguesa é português.
— Para comer um bom prato lusitano vá no restaurante da Sociedade Espanhola.
— Os melhores bolinhos de bacalhau de cidade são de viola, sardinha, anchova, carpa e lambari.
— Ainda tem citadino que acredita em plantação de sagu.

Contribuição de Caio Brito:
Porto Alegre é a única cidade em que a Mel Lisboa é filha do Bebeto Alves.