segunda-feira, 9 de junho de 2008

Por que a grande imprensa não noticia o que atinge a maioria da população?



Mais uma extraída do Núcleo Piratininga de Comunicação, blog indispensável para quem se interessa pelo tema Democratização da Comunicação. Entra lá e lê a íntegra da matéria
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Origem elitista dos jornalistas é uma das raízes do problema


Para Beatriz, a pergunta “de onde vem o jornalista?” pode responder uma das origens da ausência de cobertura de políticas públicas na grande mídia. Grande parte dos que ingressam nos cursos de jornalismo são filhos de classe média ou alta, assim, “as grandes mazelas sociais não fazem parte do cotidiano desses futuros jornalistas”.

Outra origem da questão destacada pela jornalista é a formação do comunicador: mais técnica do que humanista e com foco no mercado. Essa formação também não possui, de acordo com ela, uma oferta de conhecimentos mínimos sobre o tema políticas públicas.

Em um segundo bloco de situações que podem causar essa ausência de cobertura, estão as condições de trabalho dos jornalistas. Segundo Beatriz, com as redações bastante enxutas, condições precárias de trabalho, a informação transformada em lucro e a falta de independência do jornalista na escolha da pauta, o resultado é um jornalismo que não aborda as questões que atingem a maioria da população.

Ainda uma terceira raiz do problema apontada por Beatriz é a concentração dos meios de comunicação. A jornalista lembra que apenas 9 famílias controlam 85% da informação no Brasil, apesar do artigo 220 da nossa Constituição proibir o monopólio.

“Só falta fabricarem as pessoas que vão assistir aos programas!”, brinca, sobre o fato de uma mesma empresa deter todo o processo de produção e distribuição da informação.


Soluções


Nas redações, uma formação continuada dos jornalistas, a investigação de dados e informações públicas, a cobertura do processo das políticas públicas, podem, de acordo com a palestrante, serem passos na solução do problema. Além disso, a prática de ouvir os beneficiários dessas políticas e de estabelecer canais de comunicação entre a população e a imprensa, como ouvidorias e a própria figura do ombusdman, seriam iniciativas importantes.

Na universidade, a criação de disciplinas obrigatórias específicas sobre as políticas públicas e projetos de extensão, também atuariam nesse sentido.

Essas iniciativas, para Beatriz, devem ser somadas a outras com foco específico na sociedade em geral, como a criação de disciplinas nas escolas sobre leitura crítica da mídia e a própria formação do cidadão sobre o papel da Estado e da Sociedade. Nesse sentido, o direito à comunicação deve ser entendido como um direito tão importante quanto qualquer outro.

“Mas enquanto não entendermos que a notícia deve ser de interesse público e entendermos o ser humano como sujeito da história, não mudaremos esse diagnóstico”, afirmou Beatriz Barbosa. A jornalista mencionou ainda que quando se trata de políticas públicas de comunicação, aí é que o tema não aparece de maneira nenhuma na grande imprensa.


Raquel Júnia


sexta-feira, 30 de maio de 2008

Querida Marina

Querida Marina

FREI BETTO

Caíste de pé! Tu eras um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a
tua demissão, os agressores do meio ambiente

CAÍSTE DE pé! Trazes no sangue a efervescente biodiversidade da floresta amazônica. Teu coração desenha-se no formato do Acre e em teus ouvidos ressoa o grito de alerta de Chico Mendes. Corre em tuas veias o curso caudaloso dos rios ora ameaçados por aqueles que ignoramo teu valor e o significado de sustentabilidade.

Na Esplanada dos Ministérios, como ministra do Meio Ambiente, tu eras a Amazônia cabocla, indígena, mulher. Muitas vezes, ao ouvir tua voz clamar no deserto, me perguntei até quando agüentarias.

Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis. Não te merecem aqueles que miram impassíveis os densos rolos de fumaça volatilizando a nossa floresta para abrir espaço ao gado, à soja, à cana, ao corte irresponsável de madeiras nobres.

Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará esse plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, às hidrelétricas, às madeireiras e às empresas do agronegócio?

Quantas derrotas amargaste no governo? Lutaste ingloriamente para impedir a importação de pneus usados e a transformação do país em lixeira das nações metropolitanas; para evitar a aprovação dos transgênicos; para que se cumprisse a promessa histórica de reforma agrária.

Não te muniram de recursos necessários à execução do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, aprovado pelo governo em 2004.

Entre 1990 e 2006, a área de cultivo de soja na Amazônia se expandiu ao ritmo médio de 18% ao ano. O rebanho se multiplicou 11% ao ano. Os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectaram, entre agosto e dezembro de 2007, a derrubada de 3.235 km2 de floresta.

É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007. Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados.

Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.

Quem será punido? Tudo indica que ninguém. A bancada ruralista no Congresso conta com cerca de 200 parlamentares, um terço dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

E, em ano de eleições municipais, não há nenhum indício de que os governos federal e estaduais pretendam infligir qualquer punição aos donos das motosserras com poder de abater árvores e eleger ($) candidatos.

Tu eras, Marina, um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão, os agressores do meio ambiente, os mesmos que repudiam a proposta de proibir no Brasil o fabrico de placas de amianto e consideram que "índio atrapalha o progresso".

Defendeste com ousadia nossas florestas, nossos biomas e nossos ecossistemas, incomodando quem não raciocina senão em cifrões e lucros, de costas para os direitos das futuras gerações. Teus passos, Marina, foram sempre guiados pela ponderação e pela fé.

Em teu coração jamais encontrou abrigo a sede de poder, o apego a cargos, a bajulação aos poderosos, e tua bolsa não conhece o dinheiro escuso da corrupção.

Retorna à tua cadeira no Senado Federal. Lembra-te ali de teu colega Cícero, de quem estás separada por séculos, porém unida pela coerência ética, a justa indignação e o amor ao bem comum.

Cícero se esforçou para que Catilina admitisse seus graves erros: "É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia.

Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?" Faz ressoar ali tudo que calaste como ministra. Não temas, Marina. As gerações futuras haverão de te agradecer e reconhecer o teu inestimável mérito.

(FSP, 16.5.2008)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

não foi por preguiça

Não, não foi, amigos e amigas.

A consciência pesou, mas mesmo assim não foi possível evitar esse tempo todo sem postar.

Os últimos meses têm sido ocupados por tarefa das mais desafiadoras aqui no SindBancários.

Propusemos a nós mesmo um desafio: construir um plano de carreira sob a ótica dos trabalhadores e pelos trabalhadores. Criamos um GT, que contou com a participação de dirigentes e delegados sindicais e com a assessoria do prof Schimidt (o Schimitão, atualmente candidato a reitor na UFRGS) e da psicóloga Tônia Duarte, tamb da UFRGS.

De outubro prá cá, construímos proposta de carreira que busca principalmente repensar a lógica instituída na empresa a partir de década de 1990 que objetiva moldar a Caixa à imagem de um banco privado - política de acordo com os governos neoliberais da época que levou à desconstrução de setores históricos (como a habitação) e estratégicos (tecnologia e recursos humanos) e à piora considerável do atendimento à população.

Isso gerou também, é claro, a criação de um clima interno que privilegia o estímulo à competitividade em níveis extremos entre os próprios colegas.

Ou seja, temos a clareza de que uma coisa é associada a outra. Não tem como se pensar carreira sem pensar o papel da empresa. A partir desse pressuposto, buscamos ultrapassar os limites da categoria bancária. Dito em outras palavras, buscamos fazer com que o bancário, ao discutir carreira, pense em algo mais além de seu umbigo.

Consolidando o caráter público da Caixa, acompanhada da visão de que de que seu principal papel é auxiliar o desenvolvimento social e eocnômico (inclusivo), e não apenas buscar o lucro pelo lucro, podemos repensar também a lógica interna ainda vigente.

Mas... É difícil convencer o próprio movimento sindical de que esse debate é importante. Seja porque alguns não enxergam nada além do umbigo (pensamento imediatista), seja porque muitos acham que, por ser governo Lula, não se pode reivindicar nada que a Caixa não esteja disposta a negociar.

De qualquer forma a contribuição está sendo dada. E o importante é que não ficamos apenas no GT: conseguimos fazer (e continuamos fazendo) muitas reuniões com os bancários, antes, durante e depois dos trabalhos do grupo. Ou seja, o método de construção da proposta foi bastante adequado.

E, com certeza, muitas sementes foram (e estão sendo) plantadas.

Bueno, um breve relato para dividir com vocês e ajudar a explicar a longa ausência.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Pingos nos is

Comentário do Alma da Geral em 25/03. Acessa lá e lê na íntegra.
Sobre Kátia, Nei e Chávez
Ouvindo ao programa da Kátia Suman na Ipanema hoje, levei um susto (...)
Não gosto de alguns de seus posicionamentos, acho que muitas vezes ela é muito prolixa e detesto o fato de ela ter um programa patrocinado - ou ex-patrocinado - pela Aracruz. Mas hoje, como disse antes, levei um susto. Ela contou que participou de um debate com o Nei lisboa e ele dizia que acha impressionante a facilidade da mídia em chamar o Hugo Chavez de ditador se o cara foi eleito democraticamente e utiliza como instrumento de governo o plebiscito para algumas decisões. E que, por outro lado, aqui no Brasil não acontece isso. Os tantos ditadores que passaram pelo poder na história do nosso país não carregam esse título, e se seguíssimos a lógica da imprensa a Avenida Presidente Castelo Branco deveria se chamar Avenida Ditador Castelo Branco

sábado, 29 de março de 2008

debate programático: alianças PT em BH

NOTA SOBRE CANDIDATURA PRÓPRIA DO PT EM BH
A Democracia Socialista, tendência interna do PT MG, vem de público expressar aos petistas e a toda sociedade sua posição favorável à candidatura própria petista em BH, em aliança com os partidos do campo democrático e popular. O PT deve construir essa candidatura junto aos partidos de esquerda e progressista da base aliada ao governo Lula, sobre um programa democrático e popular de transformações.
Expressamos posição contrária à aliança do PT com o PSDB na capital mineira em 2008, porque o PSDB é o líder da oposição nacional ao governo Lula sob uma perspectiva neoliberal. Em Minas Gerais, o PT é oposição ao governo tucano de Aécio Neves, em razão do caráter neoliberal, privatizante e antidemocrático desse governo. Nessa lógica, não cabe o PT discutir coligação com PSDB, seja cedendo à candidatura vice-prefeito, ou apoiando candidato de outro partido.
A aproximação com o governador é equivocada e fortalece uma política centrista que não interessa à construção de uma candidatura presidencial do PT em 2010. Por isso, não cabe aproximação do PT com nosso principal adversário na sucessão presidencial. Eventual aliança em Belo Horizonte nas eleições municipais de 2008, teria repercussão nacional negativa ao projeto de esquerda, além de contribuir para escancarar o PT para outras composições tucanas nos municípios.
O governo Lula está legando ao país uma dinâmica positiva de desenvolvimento com distribuição de renda que caminha no sentido inverso do modelo neoliberal defendido pelo PSDB. Este será o centro da disputa eleitoral em 2010, e que estará em debate nas eleições municipais de 2008. O PT deve fortalecer todos os aliados que desejam seguir o rumo do curso iniciado pelo governo Lula e que recebe aprovação popular.
É preciso que todos os petistas, os filiados da capital e do interior, as personalidades e os mandatários promovam essa discussão no âmbito do partido, conforme orientação da nossa política de alianças aprovada na última reunião do Diretório Nacional. Por fim, a DS conclama todos os segmentos petistas, correntes e personalidades que desejam resistir a essa operação de descaracterização do PT, defender candidatura própria em BH e a construção de aliança no campo democrático e popular.
Belo Horizonte, 25 de março de 2008.
Democracia Socialista
Tendência Interna do PT-MG

segunda-feira, 3 de março de 2008

Aliás...

No momento em que foi assassinado, Reyes estava em território do Equador e negociava com o governo francês através do presidente Chávez e do presidente Corrêa a libertação de Ingrid Betancourt. Uribe sabia, Uribe havia concordado como da vez anterior, Uribe traiu

Laerte Braga - Carta Maior

Repercusão da invasão colobiana: mais um exemplo de mídia lacaia

Dá prá acreditar (claro que dá, infelizmente) que, dois dias após o exército colobiano invadir o território Equatoriano, matar 19 pessoas, resgatar dois corpos, além de documentos e computadores, a manchete do Correio do Povo, que deveria se chamar Correio da Elite, ou Correio da Direita, ou mesmo Correio de Washington, é "Chávez ameaça e ofende a Colômbia"?!

Em primeiro lugar, a matéria volta os holofotes para Chávez, ao invés de recriminar o ato Colombiano que desrespeitou gravemente a soberania Equatoriana. Além disso, o título não é apenas informativo, mas tem claramente o objetivo de gerar a antipatia da opinião pública ao presidente Venezuelano.

E a Colômbia? Bem, de país invasor e infrator passa a ser a "vítima ofendida".