terça-feira, 26 de agosto de 2008


essa é lá do grafar

Sobre a história, a impunidade e a responsabilidade dos torturadores, por Flávio Koutzii


Há divergências jurídicas.
Há avaliação sobre as motivações e cálculos políticos.
Há os que apenas julgam da conveniência de tocar no assunto.
Há sempre o jogral dos analistas de oportunidade.
(Nunca é hora para eles)

Mas para os que não esqueceram:
Há um grito suspenso no ar.
Há uma dor infinita.
Há um tabu indecente.
Há um seqüestro invisível.
(A honra das Forças Armadas de hoje, reduzida a escudo silencioso,
da responsabilidade não assumida das Forças Armadas de ontem no golpe)

É claro que os torturadores têm que ser responsabilizados.
É certo que a anistia não é igual à amnésia.
É evidente que a história não aceita ficar sem sentido,
nem com censura, nem com cortes, como um filme proibido.
É certo que não há a mais remota possibilidade de igualar
quem lutou contra a ditadura
com quem prendeu, torturou e matou pela ditadura.
É certo que esta história tem começo, meio e fim:
e o começo é o golpe de estado,
a derrubada de um governo legal,
a censura aos jornais,
o fechamento dos partidos,
a suspensão do estado de direito,
a perseguição implacável.


As Forças Armadas é quem deram o golpe (junto com seus aliados civis).

Aqui, a ordem dos fatores altera o produto e o significado.
Eles, a ditadura, nós, a resistência.
Então quem fica ofendido somos nós!
Nós - "os elementos" - cidadãos na nossa opinião,
democratas, porque lutamos para restaurá-la.

Espantados, com a covardia
dos que não assumem suas responsabilidades

Deram ou não o golpe?
Perseguiram ou não?
Torturaram ou não?

Então, por favor!!!

É inaceitável que as Forças Armadas de hoje fiquem reféns
de um passado ditatorial indefensável.

Na verdade, no Brasil, além dos "desaparecidos", há uma grande desaparecida:

A VERDADE HISTÓRICA

História, entendida como reconhecimento dos fatos,
a totalidade das circunstâncias.
A História em tempo real
A História com muita luz
e pouca sombra
A História para e do povo brasileiro
de todos os brasileiros: civis e militares
Tudo, não para o maniqueísmo simplório,
mas para respeitar a dignidade e a tragédia
de um grande período da história recente do Brasil
dos vinte longos anos de chumbo.

Lamentavelmente as Forças Armadas propõem
a esquizofrenia como situação permanente.
Não assumem sua responsabilidade.
Desrespeitam o Poder Executivo (legitimado pelo voto).
Atuam como contra-poder.
Logo defendem o que foram.
Logo são hoje o que foram ontem.
Mas isto, não é bem assim.
Isto é uma memória doente.
Verdade amputada.
Simulação inaceitável.
Queremos que os jovens soldados e os jovens oficiais
sejam livrados destes grilhões enferrujados.
E se devolvam para este Brasil.
Impressionante de presente
Futuroso
E haverá que defendê-lo de muitas maneiras:
suas possibilidades,
seu petróleo,
sua Amazônia,
suas fronteiras,
sua economia
e acima de tudo:
sua gente brasileira,
seu futuro,
seu orgulho,
sua história.


Flavio Koutzii
Porto Alegre, 14 de agosto de 2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

por mais "Casséis" no governo


Mais do que os números, me chamou a atenção o posicionamento assumido pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, em seu pronunciamento de ontem no rádio e na TV.

Cassel defendeu a agricultura familiar, afirmando que ela, junto com os assentamentos, produzem "70% dos produtos que fazem parte da mesa do brasileiro, como o feijão, mandioca, cebola, aves, suínos, leites, frutas e verduras."

Só depois da defesa conceitual e (por que não?) ideológica (bem sustentada por dados concretos) da agricultura familiar e da reforma agrária, é que Cassel deu publicidade ao Programa Safra.

Esse tipo de colocação, nos dias de hoje, tem que ser saudada, porque vivemos em tempo em que ainda não nos livramos do pensamento único: temas como democratização da comunicação, transgênicos e mesmo agricultura familiar x agroindústria parecem proibidos de se tocar em um governo que traz importantes avanços mas que, via de regra, "não coloca o dedo na ferida" (ou nas feridas).

Cassel, mesmo fazendo parte do governo, e mesmo sendo ministro do desenvovimento agrário (e, por isso, sofrer pressão cotidiana do MST e outros movimentos sociais do campo), já havia tido importante posicionamento público, recentemente, contra a tentativa de criminalização do MST por parte do MP gaúcho.

É lamentável que não tenhamos esse tipo de postura por parte do ministro das comunicações (o sr Hélio Costa, infelizmente), que não defendeu o sistema brasileiro de TV digital (que seria importante avanço na luta pela democratização da comunicação) e que ataca as rádios comunitárias; do ministro da agricultura, cujo foco é o agronegócio; de deputados (inclusive) da base aliada que, além de não apoiarem a ratificação da convenção 158 da OIT (que só traria benefícios para os trabalhadores desse país), votaram contra (20 contra 1: a honrosa exceção ficou por conta do deputado Nilson Mourão (PT-AC)). Ver, sobre a convenção 158, nota técnica do DIEESE.

Posturas diferentes nos casos acima já seriam um bom começo. Assim, poderia haver clima para que a sociedade levasse a sério quem afirma que não podemos aceitar a política do fato consumado e achar normal que o superávit primário, nos cinco primeiros meses de 2008, seja 43% superior ao mesmo período passado, representando R$ 5,487 bilhões ou 4,69% do PIB.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Movimento MP democrático repudia ataque ao MST

"O Movimento do Ministério Público Democrático, entidade não-governamental sem fins econômicos, de caráter não corporativo, que congrega membros do Ministério Público de todo o Brasil, vem tornar público o seu repúdio a toda e qualquer ação judicial que vise à criminalização dos movimentos sociais nacionais.

Tivemos ciência da propositura de quatro ações civis públicas movidas pelo Ministério Público do estado do Rio Grande do Sul, que pedem a contenção dos trabalhadores sem-terra, buscando impedir suas marchas, reuniões e deslocamentos em defesa da função social da propriedade.

Não obstante respeitemos a liberdade de convicção dos dignos membrosdo MP gaúcho, repudiamos qualquer medida que venha a tolher de forma genérica o direito fundamental à livre associação, reunião e locomoção de cidadãos por todo o território nacional, direitos esses assegurados pela Constituição da República.

Solidarizamo-nos com os trabalhadores sem-terra e sem-teto que lutam legitimamente - e sem uso de armas de fogo - pelo respeito à dignidade humana e pelo valor social do trabalho, o que garantirá o desenvolvimento nacional, erradicando a pobreza e a marginalização das pessoas, bem como reduzindo as desigualdades sociais e regionais.

Ressalva-se a persecução civil e penal de atos concretos que possam representar violação às leis penais e aos direitos difusos e coletivos.

Roberto Livianu, presidente do MPD"

Terra Magazine

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Duas novas indicações:

o Agente 65 acompanhamos já a algum tempo, mas por falha nossa ainda não estava nos links. É um caminho seguro para quem quer se inteirar das coisas da aldeia. Agora, se não gostas de blog com opinião forte, nem acessa.

Já o Zurdo conheci hoje. E graças à indicação do bom Agente (viva a rede de blogs alternativos!).

Lê aí embaixo um fragmento da auto-apresentação e vê se não dá sentir de cara que é um dos blogs que tem afinidade com quem vai na (e acessa a) couve:

"Zurdo em espanhol quer dizer canhoto, esquerdo. E este blog significa uma postura alternativa às oficiais(...) teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico"

Lá tem uma entrevista bem legal (uma das postagens recentes) feita pelo povo da Catarse com Carlos Latuff sobre arte engajada.

Vale conferir.

Simon e o silêncio do Mampituba



Postagem do dia 28 de março do RS Urgente segue atualíssima:


"O senador Pedro Simon (PMDB) segue em absoluto silêncio sobre os escândalos envolvendo seus aliados políticos no Rio Grande do Sul, denunciados pela Polícia Federal pela prática de crime organizado e de formação de quadrilha, entre outras coisas. Nenhuma palavra, nenhuma frase. Quando atravessa o Mampituba, o silêncio do senador transforma-se em rápida eloqüência. Simon está sempre pronto a cobrar esclarecimentos em Brasília (...)


Já sobre o Detran e sobre as denúncias envolvendo a prefeitura de Canoas, apenas para citar dois exemplos, Simon faz de conta que não é com ele. O mesmo silêncio, aliás, é exercitado pelo senador Sérgio Zambiasi (PTB). Tudo se passa como se o que está acontecendo no Rio Grande do Sul não lhes dissesse respeito."

imagem vale por mil palavras




A frase acima nunca foi tão verdadeira.
Aos desavisados, ajuda a entender melhor o que se passa.

Em tempo: essa eu peguei do Diário Gauche (postado em 08/06). O encontro se deu em 07/06.