quinta-feira, 26 de abril de 2007

Artigo do Olívio



Saiu na ZH (com a exceção da imagem aí de cima, claro), portanto a maioria não leu (eheh).

Artigo
Banrisul: melhor porque é nosso
OLÍVIO DUTRA/ Ex-governador do RS e funcionário aposentado do Banrisul



Durante o meu governo, a publicidade do Banrisul enfatizava um aspecto que me parece fundamental da sua natureza como instituição pública: o fato de que ele é um patrimônio dos gaúchos. Isso não é pouco. Nos últimos seis anos, o Banrisul lucrou mais de R$ 1,6 bilhão. A metade disso foi usada pelo governo para investir em saúde, educação, estradas e demais necessidades dos gaúchos. A outra metade ficou para capitalizar o banco. A título de curiosidade, alguém sabe qual o destino dos R$ 8,5 bilhões que Bradesco e Itaú lucraram em 2006? Uma fatia desse lucro, inclusive, foi gerada no RS. E o que os gaúchos ganharam com isso? Não se trata, obviamente, de uma oposição generalizadora ao empreendimento financeiro privado, mas de uma comparação demonstrativa das vantagens da existência de uma instituição financeira forte sob o controle do Estado.

Preocupa-nos, portanto, os encaminhamentos que vêm sendo dados pelo Executivo em relação ao Banrisul. A falta de transparência nas ações revela intenções não-publicitáveis. Talvez porque contradigam o próprio compromisso assumido em campanha pela atual governadora. Na época, e isso não faz muito tempo, suscitamos o debate público sobre o destino do Banrisul. E fizemos isso, também, porque queríamos uma manifestação explícita da então candidata tucana Yeda Crusius sobre a manutenção do controle público do Banrisul.

Mas o que estamos vendo é, mais uma vez, uma quebra de promessa da atual governadora. Com o eufemismo da "capitalização", inicia-se um processo lento de privatização. O argumento de que a venda de ações preferenciais do banco - aquelas que não dão direito a voto ao seu proprietário - capitalizariam o banco mas não colocariam em risco o controle público da instituição é falso. Ao se capitalizar, o banco aumenta o seu patrimônio, diminuindo a participação do Estado no seu capital total. Com a venda de ações, uma fatia do banco será comprada por investidores privados e, nesse caso, seja qual for o dicionário, trata-se de privatizar um patrimônio que hoje é público. Além disso, o edital que convoca a assembléia geral do banco, para o próximo dia 30 de abril, demonstra a intenção de modificar artigos do estatuto do Banrisul que tratam exatamente dos direitos dos detentores das ações preferenciais e da composição do seu conselho de administração.

Por tudo isso, a comunidade gaúcha está com uma "pulga atrás da orelha", como se diz. Por trás das dubiedades e dos sigilos, esconde-se, aparentemente, o descaso para com a natureza pública do banco. E os gaúchos não gostam que vendam as suas coisas.

Fonte: ZH 26/04/2007

Um comentário:

Claudia Cardoso disse...

Marcos, obrifgada por disponibilizar o artigo do Olívio Dutra. Abraço!