terça-feira, 21 de agosto de 2007

mídia alternativa em debate

Mídia alternativa em debate na Casa dos Bancários
Fonte: SindBancários
Publicado em: 20/8/2007 - 14:33

A Casa dos Bancários realiza na próxima quarta-feira, dia 22, um debate sobre Mídia Alternativa e Disputa de Hegemonia, a partir das 19h. O moderador Chico Vicente, metroviário e ex-presidente municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), terá como convidados para discutir o tema o presidente do SindBancários, Juberlei Bacelo, os jornalistas Marco Aurélio Weissheimer e Kátia Marko, e o diretor da Abraço, Josué Lopes.

A informação e a comunicação constituem-se em elementos essenciais da vida moderna. A instantaneidade das notícias, a velocidade e a freqüência das informações moldam um mundo globalizado e em permanente disputa.


Os grandes meios de comunicação de massa são dominados pelos donos do poder, os quais se utilizam destas técnicas para vender mercadorias, ideologias e valores culturais, visando o lucro e o poder. Porém, diversos recursos, tais como, blogs, orkuts, sites, messengers, imprensa sindical, rádios e tvs comunitárias, jornais independentes e outros meios são utilizados para também informar e comunicar.


A potencialização destas pequenas estruturas na disputa de hegemonia na sociedade, a estratégia para combater o monopólio e a ditadura da mídia nos dias atuais serão debatidos pelos convidados. Você é nosso convidado.

Venha participar!


LOCAL: Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424), em Porto Alegre.

viram a notinha na capa?

Repararam na pequena notinha, à direita, na capa da 0Hora de hoje sobre terem sido encontrados selos na casa da assessora da Yeda?

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

bastidores do Cansei


Hebe se irrita com pergunta e Ivete se cala em ato
Sexta, 17 de agosto de 2007, 15h32
Raphael Prado (foto e texto) - Terra Magazine


"Estou vendo pessoas de cabelos grisalhos. Somos do tempo em que não nos trancávamos em casa, que não existia tanta gente para mexer em nosso patrimônio." Assim o locutor anuncia o início do protesto do movimento Cansei nesta sexta-feira, que lembra um mês do acidente com o Airbus da TAM.

O público - as estimativas variam de duas a cinco mil pessoas - segundo a Polícia Militar, ocupa a Praça da Sé, no centro de São Paulo. Ali estão todos divididos em dois grandes grupos. O palco, de costas para a Catedral da Sé, dentro da qual a realização do protesto foi vetada pela Arquidiocese, separa a multidão de homens, mulheres, negros e brancos, ricos e pobres. Na escadaria da Catedral, sentados e com guarda-sóis, senhoras maquiadas, homens de terno e jovens de óculos escuros de grife.

Aos poucos, os artistas chegam. Com eles os gritos de "Fora imprensa", em direção a repórteres e cinegrafistas que impedem o povo de cumprir o objetivo principal de estar ali: ver as celebridades.

- E o Paulinho Vilhena, não vinha? - pergunta a jovem de câmera em punho.

- Quem é aquele ali? - questiona outro.

Hebe Camargo chega. Camiseta com a bandeira do Brasil e mais um par de óculos de grife. Gracinha de sorriso.

Hebe não contava com a pergunta ácida de um cidadão que se recusa a sair da "área vip", com argumento de que está em uma praça pública:

- E o Maluf, que você apoiou tanto tempo?

Irritada, Hebe põe o dedo em riste:

- Eu cresci às minhas próprias custas, às custas do meu trabalho.

O cidadão é o engenheiro José Carlos Caldeira Braga, de 70 anos. Usa um broche com as bandeiras do Brasil e da Venezuela. É ironizado pelos advogados, conselheiros da OAB-SP e outros elegantes senhores da "área vip":

- Vou até tirar uma foto. Vira pra cá, ô Evo! - Confundindo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com o da Bolívia, Evo Morales.

Luiz D'Urso, presidente da OAB-SP, discursa. Reitera que o movimento é apartidário. Pede solidariedade às famílias das vítimas do vôo da TAM a 5 minutos das 13h. Os familiares das vítimas, como relata Vagner Magalhães, do Terra, sentiram-se "usados" no ato. Leia mais aqui.

Continuam as reclamações do público com os repórteres, que tapam a visão para as celebridades.

Um minuto de silêncio. Seguem preces e orações. Um padre, um rabino e um pastor metodista. Agnaldo Rayol canta o hino nacional. Sem Ivete Sangalo, como havia sido anunciado, para frustração geral.

Ivete que, em 2001, participou de abaixo-assinado em apoio ao senador Antonio Carlos Magalhães, quando este violou o painel de votação do Senado (leia aqui trecho do documento). A cantora costumava também fazer reverências a líderes carlistas na passarela do Campo Grande durante o Carnaval de Salvador.

Um tímido "Fora Lula" é puxado por alguns. É abafado por um "Viva o Brasil". Algumas fotos no palco e as celebridades começam a sair. Os manifestantes da praça da Sé deixam o chão para subir em escadas, pilares e muretas.

Hebe vai deixando o ato. É questionada se a sociedade, os pobres, estão participando do movimento.

- Tá todo mundo aí. - responde, ainda com um resquício de mau humor diante das perguntas.

Sai Ivete Sangalo. Impossível chegar até ela. Muitos querem tirar fotos. Um cidadão quer entregar uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Não consegue.

No corredor de isolamento que ligava o palco à sede da OAB, a uma distância de cerca de 400 metros, os artistas se despedem. Um conselheiro da Ordem conversa com outro:

- Foi bom, né?

- Só foi ruim por causa da Ivete. Podia ter cantado uma, né?

Hebe Camargo entra em seu Mercedes e se despede do povo. Deixa chorando uma humilde senhora, que se cansou de esperar para cumprimentá-la.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Banrisul lucra R$ 725,1 milhões no semestre

Estima-se que a venda de cerca de 42% das ações do Banrisul "renderá" cerca de R$ 2 bilhões. Desse total, cerca de R$ 800 milhões referem-se a ações primárias que ficam com o Banrisul, como incremento de capital. Ao Estado, portanto, serão repassados cerca de R$ 1,2 bilhões de reais.

Recentemente, o banco divulgou seu balanço semestral: lucro de R$ 725,1 milhões, 283,9% superior ao apurado no mesmo período de 2006

Com a venda das ações, daqui pra frente o banco terá que repassar cerca de 40% de seu faturamento para os grandes investidores privados internacionais que compraram ações, certo? Lamentavelmente, sim.

Pois bem, se o banco seguir com lucratividade semelhante à divulgada esse semestre, em poucos anos o valor acumulado que o caixa único do Estado deixará de receber será maior do que o valor "capitalizado". É só fazer os cálculos.

Portanto, de todos os ângulos que se olha a questão, a venda das ações do Banrisul comandada por Yeda foi péssima para os interesses do povo do Rio Grande do Sul.

Além disso, é evidente que de nada adianta, para a sociedade gaúcha, ter um banco estatal com lógica privada. Temos que lutar para que o Banrisul seja cada vez mais um banco público, exercendo sua função social, auxiliando no desenvolvimento do Estado, distribuindo riqueza, fomentando a economia...

Evidentemente, essa não é a visão dos investidores internacionais que compraram as ações e vão participar da gestão do banco...

sejamos didáticos (ou: Elvino vai na couve)


Por todo o histórico citado abaixo, vê-se que foi de uma felicidade imensa a fala do deputado Elvino Bohn Gass, durante a sessão de ontem. Em uma intervenção extremamente didática, o parlamentar afirmou que o problema é exatamente que os governistas anunciam a capitalização do Banrisul, pois capitalizar, no dicionários destes, significa privatizar.

No link abaixo, recente carta aberta de Elvino aos bancários.

Carta Bohn Gass


Foto: Caco Argemi

Banrisul e CRT: a farsa da capitalização


A grande mídia gaúcha tem comparado a sessão de ontem na assembléia legislativa, que buscou legitimar a venda das ações do Banrisul feita pelo governo Yeda há alguns dias, com as manifestações ocorridas na mesma casa na época da privatização da CRT. Infelizmente, como já era esperado, na repercussão das errebeesses da vida, as semelhanças se resumem à "baderna" feita pelos manifestantes.

Na verdade, há realmente muitas semelhanças nos processos de capitalização (que culminou na privatização) da CRT e do banco público dos gaúchos. A começar pelos partidos que governavam com Britto e hoje governam com Yeda. Aliás, os mesmos que apoiavam FHC quando este vendeu a Vale a preço de banana.

Vejamos mais semelhanças, a partir dos anais de audiência pública (a foto acima é também desse link) ocorrida 19/11/1996 na Assembléia Legislativa, em que se debateu proposta do governo Britto de capitalização da CRT (venda de 35% das ações ordinárias).

Primeiramente, a tentativa de despolitização da própria política...

O SR ASSIS ROBERTO SANCHOTENE DE SOUZA (então secretário de Energia, Minas e Comunicações) – Acredito que se entrarmos na questão ideológica, não vamos tirar o proveito que esta reunião merece, bem como esta platéia (...)

rebatida por Koutzii...
O SR FLÁVIO KOUTZII (PT) – a formulação geral que o levou a considerar inoportuna a presença de conteúdos ideológicos leva-me a fazer uma observação quase primária: não discussão sem ideologia, isso não existe e nunca existiu. Nenhum dos presentes, nem os estritamente técnicos, têm opiniões técnicas apenas sobre uma reforma profunda da estrutura do Estado. Se esse é o tema geral em que está mergulhado o tema da CRT, mesclam-se aí concepções de política pública, concepções de direitos do cidadão. Isso é eminentemente uma concepção mais complexa, oportuna e legítima.

Também pela postura da bancada de oposição, que, como hoje, alertava a sociedade gaúcha da real intenção do governo:

A SRA JUSSARA CONY (PC do B) – Esse é um primeiro momento de debates, até porque – pelo menos no meu entendimento – pairam muitas dúvidas em relação à forma como o Governo do Estado está entregando a CRT, abrindo suas portas para a total privatização (...)

O SR FLÁVIO KOUTZII (PT) – Particularmente tenho sustentado que o que caracteriza o Governo Britto, de forma muito resumida, é a sistemática venda de patrimônio (...)

O SR POMPEO DE MATTOS (PDT) – O secretário manifestou-se no sentido de que o governo jamais vai ignorar a lei no sentido de vender mais de 51% das ações sem ouvir a assembléia. Tenho a impressão de que logo, logo vão ouvir a Assembléia (...)

Entretanto, os parlamentares oposicionistas, como hoje, eram acusados de fazer um falso debate. No próprio segundo turno das eleições de 1994, foi amplamente divulgada uma carta do candidato Antônio Britto "desmentindo boatos da Frente Popular". Um dos compromissos assumidos nessa carta era não vender ou tansferir participação do Governo do Estado no capital da CRT. E, claro, o discurso/manobra de abertura de capital, ou capitalização, nunca privatização.

O SR ASSIS ROBERTO SANCHOTENE DE SOUZA – Está claro, porque estamos repetindo pela terceira vez (...) quanto ao controle acionário, podemos assegurar-lhe que, em nenhum momento, esa dúvida nos passa pela cabeça. Temos um compromisso com a sociedade do Rio Grande do Sul e com uma lei aprovada por esta Casa no sentido de que o Estado, em nenhum momento, perderá p controle acionário da empresa.

IDEM: Gostaria de esclarecer que todos os compromissos que o governador Antônio Britto assumiu nesta carta continua de pé (...) O governador não revisou nenhum compromisso. Todos os compromissos que o governador assumiu na carta que enviou aos funcionários da CRT estão sendo e serão cumpridos.

O SR PAULO ODONE (PMDB) – No governo passado, esta Casa formou uma comissão para debater o seguinte tema: a CRT e a sua privatização ou abertura do seu capital (...) não estamos aqui julgando se devemos ter um Estado dono do serviço público ou não (...) quando o Governador Antônio Britto mandou essa lei para esta Casa, no ano passado (...), alertou-nos para o fato de que a maioria do partido não iria querer privatizar a CRT.

IDEM: O pedido para esta audiência pública surgiu da necessidade de esclarecimentos sobre denúncias ou sobre irregularidades que o governo vinha cometendo nesse processo de abertura de capital da CRT, embora o chamem de privatização da CRT.

O SR CRISTIANO TATSCH ( então presidente da CRT) No que diz respeito ao autofinanciamento e às capitalizações, estamos vendo, mais uma vez, que o governo procurou colocar a empresa dentro do processo produtivo (...)



segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A invenção da crise


Introdução da entrevista abaixo:

A invenção da crise

Marilena Chauí

Era o fim da tarde. Estava num hotel-fazenda com meus netos e resolvemos ver jogos do PAN-2007. Liguei a televisão e “caí” num canal que exibia um incêndio de imensas proporções enquanto a voz de um locutor dizia: “o governo matou 200 pessoas!”. Fiquei estarrecida e minha primeira reação foi típica de sul-americana dos anos 1960: “Meu Deus! É como o La Moneda e Allende! Lula deve estar cercado no Palácio do Planalto, há um golpe de Estado e já houve 200 mortes! Que vamos fazer?”. Mas enquanto meu pensamento tomava essa direção, a imagem na tela mudou. Apareceu um locutor que bradava: “Mais um crime do apagão aéreo! O avião da TAM não tinha condições para pousar em Congonhas porque a pista não está pronta e porque não há espaço para manobra! Mais um crime do governo!”. Só então compreendi que se tratava de um acidente aéreo e que o locutor responsabilizava o governo pelo acontecimento.
Fiquei ainda mais perplexa: como o locutor sabia qual a causa do acidente, se esta só é conhecida depois da abertura da caixa preta do avião? Enquanto me fazia esta pergunta e angustiada desejava saber o que havia ocorrido, pensando no desespero dos passageiros e de suas famílias, o locutor, por algum motivo, mudou a locução: surgiram expressões como “parece que”, “pode ser que”, “quando se souber o que aconteceu”. E eu me disse: mas se é assim, como ele pôde dizer, há alguns segundos, que o governo cometeu o crime de assassinar 200 pessoas?
Mudei de canal. E a situação se repetia em todos os canais: primeiro, a afirmação peremptória de que se tratava de mais um episódio da crise do apagão aéreo; a seguir, que se tratava de mais uma calamidade produzida pelo governo Lula; em seguida, que não se sabia se a causa do acidente havia sido a pista molhada ou uma falha do avião. Pessoas eram entrevistadas para dizer (of course) o que sentiam. Autoridades de todo tipo eram trazidas à tela para explicar porque Lula era responsável pelo acidente. ETC.
Mas de todo o aparato espetacular de exploração da tragédia e de absoluto silêncio sobre a empresa aérea, que conta em seu passivo com mais de 10 acidentes entre 1996 e 2007 (incluindo o que matou o próprio dono da empresa!), o que me deixou paralisada foi o instante inicial do “noticiário”, quando vi a primeira imagem e ouvi a primeira fala, isto é, a presença da guerra civil e do golpe de Estado. A desaparição da imagem do incêndio e a mudança das falas nos dias seguintes não alteraram minha primeira impressão: a grande mídia foi montando, primeiro, um cenário de guerra e, depois, de golpe de Estado. E, em certos casos, a atitude chega ao ridículo, estabelecendo relações entre o acidente da TAM, o governo Lula, Marx, Lênin e Stálin, mais o Muro de Berlim!!!